RECLAMAÇÃO

I
Senhores peço licença
P’ra fazer  uma invocação
Em forma de oração
Falar assim do meu jeito
E já no mais abrir o peito
P’ra reclamar a razão
De toda a discriminação
O desrespeito o desagrado
Que sofre o meu estado
Do tesouro da nação

II
Eu digo muito consciente
Não consigo acreditar
Nem tão pouco imaginar
Porque o Poder Central
O Governo Federal
Vem retalhando o Rio Grande
E em qualquer lugar que ande
É a mesma voz corrente
Não tão respeitando a Gente
Tá faltando alguém que mande

III
Isso já vem de longe
É o que registra a história
Num passado de glória
Houveram lutas bravias
Quando nossa economia
Pelo império foi taxada
Inviabilizando a charqueada
Nosso principal produto
O guasca foi resoluto
Ao ver a pampa sangrada

IV
Ali já botou tenência
E reagiu a altura
Como qualquer criatura
Não tendo o apelo atendido
Nos seus brios  ofendido
Se foi no mais p’ra coxilha
Deixando o sinal, a trilha
Do diálogo do respeito
Mas quando não tinha jeito
Falou o ideal Farroupilha

V
Precisou derramar sangue
Para ter a compreensão
E o gaúcho co’a razão
Fez entender o império
Que o assunto era sério
Disto deu demonstração
E num gesto de provação
Disse ao vizinho estrangeiro
O Rio Grande é brasileiro
E já fez a sua opção

VI
Só que a história se repete
E tudo ocorre de novo
Sobrando p’ro nosso povo
A conta para pagar
Lei Kandir a desonerar
O produto de exportação
Tirando nosso quinhão
Com  FEF e mais imposto
Causando tanto desgosto
Fazendo provocação

VII
O Rio Grande que produz
O mais nobre cereal
Sustentáculo nacional
Gerando grande riqueza
Hoje experimenta a pobreza
Pois sumiram os trigais
Tão matando os arrozais
Só restando a incerteza
Se teremos pão na mesa
Esses juros tão demais

VIII
Estão entregando tudo
Dizendo que é moderno
As estatais vão p’ro inferno
Não adianta ficar brabo
Tão transformando no diabo
Todo nosso servidor
Homem público de valor
Se contrário é inimigo
Misturam joio com trigo
Massacram o trabalhador

IX
Tudo isso que falo
Eu digo e não peço arrego
Que desgraça o desemprego
Já atingindo milhões
O governo dá as razões
Diz que a crise é mundial
Mas eu não vi coisa igual
Pais de família chorando
Ao ver os filhos berrando
Assim se perde a moral

X
Por isso aqui do Rio Grande
Eu mando o meu recado
Nós já estamos cansados
De ver tudo que acontece
O gaúcho não merece
Ser assim maltratado
E em nome do meu estado
É bom que fiquem sabendo
Que este povo está sofrendo
Mais que matungo emprestado

XI
O que dizer da inflação
Que corroe a nossa moeda
O Real está em queda
Pelo Dólar engolido
Isso é muito dolorido
Ver a nossa economia
Ir caindo dia a dia
E  governo muito mal
Entrega o Banco Central
P’ra um mega especulador
Que se avança sem pudor
Na riqueza nacional

XII
Companheiros Congressistas
Então não me levem a mal
O cavalo nasce forte
Por isso cresce um bagual
O governo FHC
Só não nota quem não vê
Nos trata com água e sal
E indo assim desse jeito
O gaúcho mete o peito
E rompe o pacto federal

XIII
Está feito o meu protesto
Estão aí as razões
Que o congresso em suas funções
Possa ser o intermediário
E aqui nesse plenário
Tomem suas decisões
Devolvam nossos quinhões
Reponham nossos direitos
E por favor, mais respeito
É o que se pede a nação

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS