PRECE

I
Meu Senhor Deus do Universso
Patrão Velho Unipotente
Permitas que me apresente
Neste meu jeito campeiro
De Gaúcho Missioneiro
Tal qual Sepé Tiaraju
Que peleando a peito nú
Foi defensor das missões
Sacro santas reduções
Que catequisou os xirus

II
Eu nasci no campo bruto
Meio chucro  fui criado
Mal e mal fui batizado
E nem me lembro da crisma
E para tirar a cisma
Já me deram um redomão
Para aprender a lição
E  não cair do ventena
Eu destapei a melena
E fiz a primeira oração

III
Foi assim que aprendi
A importância da prece
Só mesmo quem não conhece
Os desafios desta vida
Ou não entende da lida
Para não dar  o valor
E não ver que o criador
Fez de nós a criatura
Tal qual a caricatura
De Cristo Nosso Senhor

IV
Entendi logo as lições
Que  o nosso mestre apregoou
E tudo que Ele falou
Eu trago junto comigo
E me servem de estribo
Neste  meu mundo pagão
E vou fazendo a oração
As vezes até a revelia
Na esperança de que um dia
Teu filho volte a este chão

V
Sei que não estou sozinho
Neste pago abarbarado
Tem muitos no meu costado
Que campeiro como eu
E que também já foi o teu
Mas fizeram a conversão
Entregaram a confissão
Deixando de ser prescrito
Pois o mundo é mais bonito
Se vivido em comunhão

VI
Por isso tenho comigo
Nesta  profissão de fé
Minha própria Santa Sé
De credo e convicção
Sem distinguir religião
Mas seguindo o ensinamento
De que fala o testamento
Pelos profetas escritos
Que deu luz p’ro o infinito
E p’ra  minh’alma alimento

VII
Por isso é que Patrão Velho
Eu estou aqui prostrado
Em reverencia ajoelhado
P’ra demonstrar minha fé
Sou o herdeiro de Sepé
Que enfrenta qualquer perigo
Mas só estando contigo
Eu me sinto amparado
E a oração que tenho orado
É meu refúgio, um abrigo
Onde me encontro contigo
P’ra me livrar dos pecados

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS