O POEMA

I
O poema é a fantasia
Mas com fundo de verdade
Que revela a sinceridade
De tudo quanto se sente
É o verso que vem da mente
Numa espécie de desafio
Faz calor em tempo frio
É quem decanta os encantos
É também quem seca o pranto
E faz das lágrimas um rio

II
É o sentimento profundo
De tudo que se tenha sentido
Daqueles momentos vividos
Que teimam em se revelar
Mas que só um poema pode contar
Transformando em poesia
A angustia que angustia
Ou o desejo de amar
Ou a vontade de encontrar
Aquela que foi-se um dia

III
Todo o poema é indiscreto
E traz consigo inconfidências
Revela na sua inocência
As profundezas da alma
Dá alimento e acalma
Os desejos indigestos
É também capaz de um gesto
De buscar no infinito
O próprio eco do grito
P’ra lançar seu manifesto

IV
Na ânsia de dizer mais
O poema as vezes se cala
Fica mudo, perde a fala
Só p’ra não ter que dizer
O que todos querem saber
Mas que só ele está sabendo
E acaba não dizendo
Não que ele tenha medo
É que é bom guardar segredo
De um amor que está nascendo

V
O poema também canta
O canto de quem encanta
Dá carinho, acalanta
Os sonhos de quem sonha só
E também desata o nó
Daquele que se enredou
Pois tudo que ele sonhou
Em seu sonho de vaidade
Foi o poema da verdade
Que p’ra realidade acordou

VI
O poema e a poesia
Onde o poeta profetiza
É onde se eterniza
Um romance proibido
Mas que ao poema é permitido
Até um desenlace fatal
Ferindo como um punhal
Matando mais que veneno
Mas que de uma só gota de sereno
Tira o remédio p’ro mal

VII
Na angústia do amor distante
O poema polemiza
Do poeta à poetiza
Faz escola, escraviza
Apaixona e suaviza
A ânsia de quem o ler
Por isso eu quero dizer
Com esses versos escritos
Que este poema é meu grito
P´RA TÍ NUNCA ME ESQUECER

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS