HOMENAGEM AO NICO FAGUNDES

I
A noite grande da Pampa
Acordou com os berros do Nico
Que já nasceu metendo bico
Cresceu e se fez poeta
Misto de herege e profeta
Da cultura e da tradição
Sem nunca afrouxar o garrão
De espora se fez ginete
Estampa viva do Alegrete
Um crioulo de galpão

II
Suas raízes de fronteiro
Lhes deram a conformação
Um apego a este chão
Marcado pelo atavismo
Um sentimento de gauchismo
De um passado de glória
Poeta de rara memória
Que o Rio Grande reverencia
Um imortal da poesia
Que deixou o nome na história

III
Antônio Augusto Fagundes
Meus versos pra ti dedico
São pra ti, amigo, Nico
Estas palavras rimadas
Meu parceiro de cavalgadas
De noites, de cantoria
Era só tu quem sabia
Fazer um galpão na tevê
Nico, só mesmo você
Pra nos dar tanta alegria

IV
Gaúchos e Gaúchas
De todas as querências
Assim tu ganhava audiência
Da gauchada campeira
Do litoral à fronteira
O piá, a prenda, o peão
Todos na televisão
Para assistir ao Galpão Crioulo
Cepa, Raiz e Manjolo
Que resgatou a tradição

V
Por isso eu tenho saudade
Quando ligo a televisão
Aos domingos no Galpão
Já não ouço tua voz
Mas percebo que entre nós
Gaúchos destas querências
Permanece na consciência
Aquela estampa de homem sério
E o Rio Grande gaudério
Para ti faz continência

VI
Eis porque quando me dizem
Que o Nico já morreu
Quero lhes confessar que eu
Não consigo acreditar
Nem tão pouco imaginar
Que isso tenha acontecido
Como pode ter morrido
Se ainda ouço, todo dia
Seus poemas, cantorias
Que estão vivas em minha mente
Nico tu és a semente
Que brota nas rimas da poesia

VII
Mas já que te foste, tio Nico
Aí no céu tu te ajeitas
Fale com o Gildo de Freitas
Convide o Bertussi, o Teixeirinha
O Zé Mendes, o Formiguinha
E o Jaime Caetano Braum
Vá no CTG Tio Lalau
Com o Maicá e o Noel Guarany
Convoque teu irmão Darci
E pra Deus tire o Chapéu
Faça o Galpão Crioulo no céu
Que a gente aplaude daqui

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS