HOMENAGEM A CRUZ ALTA

I
No altiplano da pampa
Entre a serra e as missões
Ergueu-se ali em orações
Um tempo e uma cruz bem alta
Servindo de luz e ribalta
Pra birivas carreteiros
Onde os gaúchos missioneiros
Faziam suas pousadas
E que depois se fez morada
Pra caretas e tropeiros

II
Nascia então a Cruz Alta
Do carreteiro viajante
Entre-posto importante
De Rio Grande a Sorocaba
Onde a carne charqueada
Era levada em comboio
E que ali encontravam apoio
Nas águas de uma nascente
Onde uma mágica vertente
Transbordava-se em arroio

III
A vertente virou a lenda
Da “panelinha encantada”
E Cruz Alta virou morada
P’ra quem da água bebia
E esta história de magia
Ganhou fama e fantasia
Virou canto e cantoria
E tal qual o sopro do vento
Se esparramou pelo tempo
Em forma de poesia

IV
Mas teus encantos não param
E nem tão pouco tuas lendas
Os campos de tuas fazendas
Guardam a história da “Anhay”
Esconde as quedas do Jacuí
E a terra dos afogados
E os teus filhos emancipados
Desde a serra até o Uruguai
Registram nos seus anais
A glória do teu passado

V
Cruz Alta fez-se altaneira
Nos campos de sesmarias
Depois vieram as ferrovias
Para redesenhar o mapa
Trazendo preso na ilhapa
A indústria e um comércio pujante
E junto com os comerciantes
Também vieram os quartéis
E os muitos milhões de mirreis
Que te fizeram importante

VI
És hoje uma cidade moderna
Sede de uma universidade
A UNICRUZ é na verdade
Um campus de puro saber
É onde eu fui aprender
As teorias, os preceitos
As leis, as teses, os conceitos
Que me fizeram advogado
Um poeta e um apaixonado
Pelas causas do Direito

VII
Simboliza a saga de tua gente
A trilogia do tempo
Que deu vida e pensamento
A Rodrigo Cambará
Nem o Érico podia imaginar
Que o escritor aqui do pago
Fosse um dia aclamado
Expoente de academia
Que a famosa trilogia
Fosse filme de seriado

VIII
O monumento de Fátima
É a tua expressão de Fé
E a crença na Santa Sé
Leva o povo em romaria
Em oração, em humilha
Com cantos e ladainha
Em louvação a Rainha
Por uma graça alcançada
E que a cidade seja abençoada
Pelos olhos da “Santinha”!

IX
Traduz a cultura do teu povo
A coxilha nativista
Que resgata, reconquista
Rumos, nortes e raízes
Dando formas e matizes
Para um grande festival
Evento tradicional
Que junto com a “Fenatrigo”
Faz da terra do Capitão Rodrigo
Uma legenda imortal

X
Então te agradeço Cruz Alta
Pelas graças da “Santinha”
Por beber da “Panelinha”
Por poder desde guri
Viver em volta de ti
E por aqui ter me formado
Ser o teu advogado
Ser teu neto, quase um filho
Que tem o sangue caudilho
E é herdeiro do teu legado

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS