GENEALOGIA

I
Brotou do ventre do Pampa
Germinando qual semente
Dando forma ao continente
Fazendo Pátria e Nação
Fruto da miscigenação
De três raças diferentes
Mistura do sangue quente
Do Espanhol com o Lusitano
E a fibra do índio aragano
Sendo dos três descendente

II
O primeiro foi o índio
Com sua paz interior
Mas que ao rufar d’um tambor
Se punha em prontidão
Na defesa deste chão
Se fez guasca, foi guerreiro
E com timbre de Missioneiro
Na voz de Sepé Tiarajú
Peleou de peito nu
Sendo da raça o primeiro

III
Os Lusos descobridores
Senhores das capitanias
Donatários de Sesmarias
Então no pago aportaram
E por aqui se enraizaram
Pra não voltarem jamais
Transformando o porto dos casais
Da província de São Pedro
Na terra que herdou os segredos
De todos seus ancestrais

IV
Em seguida veio o Espanhol
Para compor o cenário
Uma legião de missionário
Que cumprindo suas missões
Fundaram as reduções
Difundindo a sua fé
Pra que os herdeiros de Sepé
Não se criassem ateus
E fossem temente a Deus
Na crença da Santa Sé

V
Também o espanhol  - Guerreiro
Em nome do “Gran Del Rey”
Veio aqui pra impor lei
E aumentar seu império
Mas como que por “mistério”
Por aqui se aquerenciou
O sangue quente amornou
Da Pampa fez sua querência
Dando fibra e consistência
Na raça que se formou

VI
Este é o embrião da raça
Só faltando o tempero
E o espírito aventureiro
Também vindo do além-mar
Para aqui desbravar
As riquezas deste chão
E foi o Italiano e o Alemão
Que nesta terra aportaram
E como o negro temperaram
Uma raça em formação

VII
Completa a miscigenação
O Polonês imigrante
Uma nação retirante
Que aqui encontrou abrigo
E semeou do novo trigo
Entrelaçando as culturas
Retocando a formosura
Da bela prenda do pago
Mãe do carinho e do afago
A mais linda das criaturas.

VIII
Este é o gaúcho da gema
E a sua ancestralidade
Que conquistou a liberdade
E conservou tradições
E o templo das reduções
É o símbolo da genealogia
Que desenhou geografia
E traçou a trajetória
Dos farrapos, cuja a história
Hoje te reverencia

IX
Nada se iguala Rio Grande
Com os feitos de teus filhos
Nem ninguém ofusca o brilho
Do timbre de tuas canções
Poemas, declamações
Que trago em minha memória
Das façanhas cuja a glória
A muito tenho guardado
Pois são relíquias de um passado
De trezentos anos de história

X
Isso explica a diferença
Vinda desde a formação
Que dispensa a comparação
Nem se compara a atavismo
É o culto do nativismo
É o orgulho de seus feitos
É o gaúcho abrindo o peito
Sem renegar a nação
Mas primeiro ama seu chão
Só o gaúcho é desse jeito

XI
Gaúchos, gaúchos, gaúchos
Eis aí a tua estampa
E a imagem bela da pampa
Refletida em tua retina
É a tua própria obra-prima
Na gesta do criador
Misto santo e pecador
Índio, Negro, Espanhol, Italiano
Polonês, Alemão, Lusitano
Ninguém te iguala em valor

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS