BUGIO DA PALMEIRA

I
O bugio que nasceu lá na serra
Ganhou fama e se foi mundo a fora
A cavalo no vento, foi cortando o tempo de espora
Se extraviou e se foi p’ra fronteira
Andava a procura de uma companheira
E por lá fez verso, cantou e ganhou asa
E no caminho de volta p’ra casa
Fez parada aqui na Palmeira

II
Já chegou afamado e fazendo folia
Invadiu o galpão e subiu prateleira
Comeu revirou e fez bebedeira
Trancou o pé, roncou grosso e puxou do facão
Se achava cheio de razão
Dizendo ser neto do “Warzumiro”
Arrancou do revolver, encheu tudo de tiro
Só p’ra matar, a saudade do pé-no-chão

REFRÃO
Veja que bicho curioso
Teimoso valente e peleador
Este senhor, bugio que tem nome
Que tem fome de paz e é trincheira
Que faz brincadeira e parece com a gente
Que é semente, que é cepa e raiz
Hoje todo mundo diz.... “Este é o Bugiu da Palmeira”

III
Depois de mostrar a que veio
O bugiu se acalmou e falou a verdade
Disse estar com muita saudade
Do carijo e da erva da boa
Do barbaquá e do canto que ecoa
Das poesias de cada festival
E do jeito da vida bagual
Da Palmeira que canta peleia e caçoa

IV
Hoje o bugiu lá da serra
Fez querência nos pagos daqui
Canta e encanta num canto p’ra ti
Não peleia não briga não faz estrepolia
É valente sem mostrar valentia
Só uma coisa o bugiu não tem jeito
Não perdeu a mania não mudou conceito
Ele continua...  louco por guria

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS