ANITA GARIBALDI

I
Anita mulher guerreira
Que simboliza uma Saga
Escrita a ponta de Adaga
Como quem cumpre uma Sina
Que mostrou desde menina
Ser forte e determinada
Ser alguém predestinada
A escrever a própria  história
Com mil façanhas e glórias
Que hoje são relembradas

II
Foi assim que aprendi
Relendo a história Farrapa
Que redesenhou o mapa
Demarcando a trajetória
De um povo cuja memória
Hoje te reverencia
Dizendo “Ana Maria”
Ou simplesmente “Anita”
És tu a guerreira bendita
Que foi gaúcha um dia

III
O Rio Grande farroupilha
De guerreiros abarbarados
Se sentindo encurralados
Pela força Imperial
Fez de um corsário, oficial
Na batalha de laguna
Que trocou a vida reiúna
Pelos encantos do amor,
E “Anita” tu foste a flor
Que encantou o guerreiro
Transformando o aventureiro
Num fidalgo “Gran Senhor”

IV
Anita de Garibaldi
Ou Garibaldi de Anita
Valente mulher bonita
Timoneira  do “Seival”
Como tu não tem igual
E nem há comparação
És tu a própria razão
Do legado farroupilha
Que seguindo tua trilha
Forjou o ideal da raça
Que hoje retrato com graça
No meu álbum de família

V
Anita mãe e amante
Guerreira e admirada
Que amou e foi amada
E deu exemplo de vida
Tu jamais será esquecida
Pelos teus gestos de amor
Pelos teus dons, teu valor
E teu ideal libertário
E os teus feitos legendários
Tem as mãos do criador

VI
Alguns dizem que tu és Santa
Que és Beata milagreira
Que é uma Santa guerreira
De laguna ou Lageana
Mista de virgem e profana,
O que importa a identidade
Se hoje toda a humanidade
Para ti faz reverência
Só por que já tem consciência
Que és gaúcha na verdade

VII
Anita mulher gaúcha
Da província cisplatina
Da Pampa continentina
E  mãe de dois continentes
Tu lançastes a semente
De um povo bravo e altaneiro
Do gaúcho brasileiro
Com a mescla de italiano
E quanto mais passa os anos
Mais me sinto teu herdeiro

VIII
Tuas façanhas são lendas
Contadas em noites campeiras
Quando ao pé da figueira
Pariu um filho solita
Anita, mulher bonita
Santa e bela Catarina
Brasileira Uruguai, campesina
Que atravessou oceano
Para em solo Italiano
Ser mãe, mulher e heroína

IX
Tu és a história viva
Do nosso antepassado
Do Rio Grande retovado
Do gaúcho insubmisso
E talvez seja por isso
Que te faço reverência
É que na minha consciência
De Pampa continentina
Tu foste a Santa Catarina
Que defendeu a Querência

POMPEO DE MATTOS
Deputado Federal
PDT/RS